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Natureza
02/04/2026
Emdagro

Projeto transforma cascos de caranguejo e siri em biofertilizante para a agricultura familiar

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​Iniciativa sustentável em São Cristóvão une marisqueiras, pescadores e agricultores na produção de insumo orgânico que fortalece a produção rural e reduz impactos ambientais​

01/04/2026 | Assessoria de comunicação – Emdagro

Reprodução – Emdagro

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Uma iniciativa inovadora está transformando resíduos de crustáceos em oportunidade para o fortalecimento da agricultura familiar em Sergipe. Em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), a Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), iniciou a implantação de um projeto pioneiro que utiliza cascos de caranguejo e siri, especialmente do caranguejo uçá, para a produção de biofertilizante destinado aos produtores rurais do município.

A diretora de Aquicultura e Pesca da Prefeitura de São Cristóvão, vinculada à Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), Elaine de Jesus, disse que a ação é resultado de diagnóstico feito nas comunidades pesqueiras. “A ação nasceu a partir de um diagnóstico técnico realizado na comunidade do povoado Tinharé, tradicional vila de marisqueiras e marisqueiros de São Cristóvão. Durante as visitas de campo, técnicos identificaram o descarte inadequado dos cascos de caranguejo, resíduo que, além de gerar impactos ambientais, poderia ser reaproveitado de forma produtiva”.

Para o chefe do escritório local da Emdagro em São Cristóvão, engenheiro agrônomo Renato Figueiredo, o projeto demonstra como a extensão rural pode gerar soluções práticas e sustentáveis para desafios enfrentados pelas comunidades. “A partir dessa demanda da própria comunidade, a equipe técnica da Emdagro, em parceria com a Semagri, desenvolveu uma alternativa sustentável: a produção de um biofertilizante foliar orgânico. O processo começa com a trituração dos cascos, que são transformados em farinha e posteriormente submetidos a um processo de fermentação biológica utilizando esterco bovino fresco”.

O engenheiro agrônomo Renato Figueiredo explicou que o diferencial do produto está na composição, rica em nutrientes, microrganismos benéficos e, principalmente, na presença de quitina, substância natural encontrada nos exoesqueletos de crustáceos. “Durante a fermentação, a quitina é convertida em quitosana, composto reconhecido por estimular os mecanismos naturais de defesa das plantas. Esse processo contribui para a prevenção de doenças, aumenta a resistência das culturas a pragas e favorece o desenvolvimento vegetativo das plantas. A quitosana também melhora a absorção de nutrientes pelas lavouras e potencializa a resposta imunológica das culturas, podendo reduzir a necessidade do uso de insumos químicos e tornar a produção mais sustentável e economicamente viável. Aplicado por pulverização, o biofertilizante foliar proporciona nutrição rápida às plantas e reforça a produtividade das lavouras. O tempo médio de preparo do produto varia entre 30 e 60 dias, e a expectativa é de que a iniciativa beneficie cerca de quatro mil produtores locais”, detalhou o engenheiro.

A experiência piloto foi aplicada na propriedade de uma moradora da comunidade, a produtora Andréia Cristina Lima dos Santos. “Coloquei minha propriedade à disposição dos demais moradores da comunidade, porque vi que essa iniciativa resolve dois problemas. Estamos aproveitando um resíduo abundante da atividade das marisqueiras para gerar um insumo agrícola de alto valor, que fortalece a agricultura familiar e promove a sustentabilidade”, destacou.

O representante da Associação do Povoado Tinharé, José Valmiro Alves dos Santos, afirmou que a iniciativa ainda visa amenizar o impacto da atividade ao ambiente e na saúde dos moradores locais. “Para a comunidade, essa poluição não é benéfica, porque grande parte das cascas de mariscos acumula água, favorecendo a reprodução de mosquitos da dengue. Além disso, há uma grande quantidade de lixo nos quintais, com mau cheiro, e tudo isso prejudica a saúde”. Ele acrescenta que a inovação será positiva, pois eliminará esse descarte irregular, que será transformado em biofertilizante, beneficiando outras pessoas, como os agricultores familiares.

Meio ambiente agradece

De acordo com as instituições parceiras, Emdagro e Semagri, o projeto ainda fortalece a inclusão social ao integrar marisqueiras, pescadores e agricultores familiares em uma cadeia produtiva circular, na qual o resíduo de uma atividade passa a ser insumo estratégico para outra. Como política pública estruturada, o biofertilizante produzido será adquirido pela Prefeitura de São Cristóvão e destinado aos produtores rurais cadastrados no município, garantindo acesso a um insumo sustentável, de baixo custo e com respaldo técnico, ampliando as condições para uma produção agrícola mais eficiente e ambientalmente responsável.

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Escrito por: Emdagro

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